Às vezes, o melhor que você pode esperar é: “foi ótimo enquanto durou.”

O tempo está encalhado, parece impossível encontrar o meu amor.

Que falta, meu Deus. Que falta me faz aquele sorriso. E o olhar. E a voz. E o cheiro.

“Minha vida é um deserto, Zé. Todos passam, ninguém fica. Já acostumei. Como é mesmo? Ah! lembrei: “primeiro a chegada, depois a partida.” – meu Deus, Zé. Sempre a partida.”

Sobrecarregado o suficiente pelo peso do invisível.

Dar flores, bombons, abrir a porta do carro — e do coração também. Me entende?

“Você sabia”, ela perguntou com uma voz gentil, “que quando você olha nos olhos de alguém, você pode ver quem eles amam?” — E então, olhei fundo em seus olhos. E no meio de tanta luz e tanto brilho, não pude fazer o menor esboço, Zé. Eu me vi.

Tentei tanto caminhar, tanto seguir um novo caminho que não fosse você, que consegui. E que não soe desastroso, meu bem, mas esqueci. De você. De mim. De nós. Esqueci.

Uma palavra, um gesto, um sorriso. Qualquer coisa é o bastante para que eu possa ficar.

Perto ou longe, tanto faz. Contanto que seja você. Sempre você. Só você.

E ela que achava que era rosa, pra mim, era jardim inteiro.

Fecho os olhos, e fim – finjo não, já não preciso. Preciso sim, preciso tanto. Alguém que toque fundo, que derrame o amor sobre mim. Que queira sorrir, tocar, sentir. E vez ou outra diga baixinho: eu sou teu outro-você e quero adoçar tua vida, meu amor. Ah, imenso amor desconhecido. Te quero tanto, te preciso tanto. Finjo um futuro e invento tudo só pra te sentir mais perto. Sem lonjuras, sem distancias, bem juntinho: euevocê. Como se nada mais no mundo importasse, como se nada mais no mundo fosse tão. Ou mesmo perfeito, por assim dizer.